Tipos de assédio moral no trabalho: exemplos, sinais e o que a empresa deve fazer
Os tipos de assédio moral no trabalho são o vertical descendente (do chefe para o subordinado), o vertical ascendente (do subordinado para o chefe), o horizontal (entre colegas do mesmo nível), o misto (que combina mais de uma direção) e o organizacional (quando a própria gestão da empresa usa práticas abusivas).

Os tipos de assédio moral no trabalho são o vertical descendente (do chefe para o subordinado), o vertical ascendente (do subordinado para o chefe), o horizontal (entre colegas do mesmo nível), o misto (que combina mais de uma direção) e o organizacional (quando a própria gestão da empresa usa práticas abusivas). Neste guia você vê exemplos de cada tipo, como diferenciar assédio de conflito comum, o que fazer se você é vítima e o que a empresa precisa fazer hoje, com a Lei 14.457/2022 e a NR-1.
Assédio moral raramente começa com um grande escândalo. Na maioria das vezes, ele se instala aos poucos: uma piada humilhante em reunião, uma meta impossível dada só para uma pessoa, um colega que passa a ser ignorado pelo grupo. Como cada episódio parece pequeno, a vítima duvida de si mesma, a equipe se cala e a empresa só percebe quando o problema vira afastamento, processo ou pedido de demissão.
Entender os tipos de assédio é o primeiro passo para quebrar esse ciclo. Quem sabe nomear o que está acontecendo consegue se proteger, e a empresa que conhece os sinais consegue agir antes do dano. Este guia foi escrito para trabalhadores, líderes, RH, SESMT e membros da CIPA.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado, do sindicato ou dos órgãos de fiscalização do trabalho.
O que é assédio moral no trabalho
Assédio moral é a exposição repetida e prolongada de uma pessoa a situações humilhantes, constrangedoras ou hostis no ambiente de trabalho, que atingem a sua dignidade e a sua saúde. Duas características são centrais: a repetição (não é um episódio isolado) e o dano à pessoa, seja emocional, profissional ou físico.
Por isso, é importante diferenciar o assédio de situações que, embora desagradáveis, fazem parte da vida no trabalho:
| Situação | É assédio moral? | Por quê |
|---|---|---|
| Chefe cobra resultado com firmeza e respeito | Não | Cobrar metas é parte da gestão, desde que sem humilhação |
| Discussão pontual entre colegas | Não, em geral | Conflito isolado não caracteriza assédio, mas deve ser mediado |
| Críticas públicas e repetidas para humilhar alguém | Sim | Há repetição e intenção de constranger |
| Isolar um colega de propósito, sem tarefas ou informações | Sim | É uma forma de exclusão sistemática |
| Metas impossíveis dadas só a uma pessoa para forçar sua saída | Sim | Usa a gestão como instrumento de perseguição |
| Comentários de cunho sexual indesejados | É assédio sexual | Tem natureza sexual e é tratado de forma específica |
Os 5 tipos de assédio moral
O assédio moral é classificado principalmente pela direção da relação de poder entre quem pratica e quem sofre. Conhecer cada tipo ajuda a identificar situações que nem sempre parecem assédio à primeira vista.
1. Assédio moral vertical descendente
É o tipo mais comum: parte de quem tem poder hierárquico (chefe, gerente, supervisor) contra um subordinado. Como a vítima depende do agressor para manter o emprego, ela costuma ter medo de denunciar.
Exemplos:
- Gritar com o funcionário ou humilhá-lo na frente da equipe.
- Dar tarefas abaixo ou muito acima da capacidade dele para provocar erro.
- Retirar funções, sala ou ferramentas de trabalho sem justificativa.
- Ameaçar constantemente com demissão.
- Controlar idas ao banheiro ou o tempo de pausa de forma abusiva.
2. Assédio moral vertical ascendente
É menos comum, mas existe: acontece quando subordinados se unem para desestabilizar um chefe. Em geral, aparece quando o gestor é novo, vem de fora ou foi promovido no lugar de alguém do grupo.
Exemplos:
- Boicotar de forma combinada as orientações do líder.
- Esconder informações para que ele erre diante da diretoria.
- Espalhar boatos para minar a sua autoridade.
3. Assédio moral horizontal
Ocorre entre colegas do mesmo nível hierárquico. Muitas vezes, nasce de competição, inveja ou preconceito, e se sustenta porque a liderança trata o caso como “briga entre colegas”.
Exemplos:
- Apelidos e piadas humilhantes repetidas.
- Excluir um colega de conversas, almoços e informações de trabalho.
- Sabotar o trabalho do outro ou se apropriar das suas ideias.
- Fofocas e boatos sobre a vida pessoal da vítima.
4. Assédio moral misto
Combina mais de uma direção ao mesmo tempo: a vítima é perseguida pelo chefe e também pelos colegas, que passam a imitar o comportamento da liderança. É uma das formas mais destrutivas, porque a pessoa fica sem nenhum ponto de apoio dentro da equipe.
5. Assédio moral organizacional (ou institucional)
Nesse caso, o abuso não é de uma pessoa contra outra, mas da própria forma de gestão da empresa. A pressão excessiva vira política, e atinge grupos inteiros de trabalhadores.
Exemplos:
- Exposição de rankings com “prendas” ou punições vexatórias para quem não bate a meta.
- Metas inalcançáveis como regra para toda a equipe.
- Cultura de medo, com ameaças coletivas de demissão.
- Jornadas exaustivas tratadas como “vestir a camisa”.
Assédio moral e assédio sexual: qual a diferença
O assédio sexual envolve condutas de natureza sexual indesejadas, como comentários, toques, convites insistentes ou chantagens. Diferentemente do assédio moral, um único episódio de assédio sexual já pode ser grave, e ele também pode configurar crime. As duas formas de violência, porém, costumam caminhar juntas e devem ser tratadas pela empresa com a mesma seriedade.
Como identificar o assédio moral: sinais de alerta
O assédio deixa marcas na pessoa, na equipe e nos indicadores da empresa. Fique atento quando aparecerem:
- Na vítima: medo de ir trabalhar, isolamento, queda brusca de desempenho, choro frequente, problemas de sono e afastamentos por saúde.
- Na equipe: silêncio nas reuniões, piadas recorrentes contra uma mesma pessoa e alta rotatividade em um setor específico.
- Nos indicadores: aumento de faltas, atestados e pedidos de transferência ou demissão. Por isso, o tema está diretamente ligado ao absenteísmo e ao clima organizacional.
Frases e atitudes que podem indicar assédio moral
Quando aparecem de forma repetida e com intenção de humilhar, isolar ou forçar a saída de alguém, algumas falas e atitudes são sinais claros de assédio:
- “Você não serve para nada”, dito em público ou repetidamente.
- “Se não está satisfeito, a porta da rua é serventia da casa”, usado como ameaça constante.
- Apelidos ligados a aparência, idade, origem, religião ou deficiência.
- Ignorar sistematicamente cumprimentos, mensagens e pedidos de alguém.
- Expor erros de uma pessoa em grupos de mensagens da equipe.
- Mudar regras ou prazos só para uma pessoa, sem explicação.
- Vigiar e controlar uma pessoa de forma diferente do restante da equipe.
Consequências do assédio moral
O assédio moral não prejudica apenas quem sofre. Ele atinge a saúde da vítima, contamina o clima da equipe e gera prejuízo concreto para a empresa:
| Para quem | Consequências |
|---|---|
| Vítima | Ansiedade, depressão, esgotamento, isolamento e perda de confiança profissional |
| Equipe | Medo, queda de colaboração, silêncio diante de problemas e perda de talentos |
| Empresa | Afastamentos, rotatividade, queda de produtividade, ações trabalhistas e danos à reputação |
Há mais detalhes sobre esse impacto em quais são as consequências do assédio moral.
O que fazer se você está sofrendo assédio moral
Se você reconheceu a sua situação neste texto, saiba que não é exagero e que existem caminhos. O passo mais importante é sair do isolamento e reunir provas.
- Anote tudo. Registre data, horário, local, o que foi dito ou feito e quem presenciou. Um diário detalhado tem muito valor.
- Guarde evidências. Mensagens, e-mails, áudios e documentos que mostrem o tratamento recebido.
- Identifique testemunhas. Colegas que presenciaram os episódios podem confirmar os fatos.
- Use os canais internos. Procure o RH, a ouvidoria, o canal de denúncias ou a CIPA.
- Busque apoio externo, se necessário. O sindicato da categoria, o Ministério Público do Trabalho e um advogado trabalhista podem orientar os próximos passos.
- Cuide da sua saúde. Procure atendimento médico e psicológico. A saúde vem antes de qualquer processo.
Para entender melhor como reunir provas, veja como provar assédio moral no trabalho.
O que a empresa precisa fazer hoje
Prevenir o assédio deixou de ser apenas uma boa prática. Hoje, duas normas colocam o tema no centro da gestão de pessoas.
Lei 14.457/2022: CIPA também previne o assédio
A Lei 14.457/2022 mudou o nome da CIPA para Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio e determinou que as empresas obrigadas a ter CIPA adotem medidas contra o assédio sexual e outras formas de violência no trabalho. Entre elas:
- regras de conduta sobre assédio, divulgadas a todos os trabalhadores;
- procedimentos para receber e apurar denúncias, com garantia de anonimato;
- inclusão da prevenção ao assédio nas atividades da CIPA;
- ações de capacitação, orientação e sensibilização, no mínimo a cada 12 meses.
NR-1: riscos psicossociais no gerenciamento de riscos
A atualização da NR-1 passou a exigir que as empresas incluam os fatores de risco psicossociais, como pressão excessiva, metas incompatíveis, qualidade da liderança e conflitos nas relações de trabalho, no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Depois de adiamentos, a fiscalização com possibilidade de autuação começou em 26 de maio de 2026.
Na prática, isso significa que o assédio moral passou a ser tratado como risco ocupacional, que precisa ser identificado, avaliado e prevenido, assim como um risco físico ou químico.
O que o líder deve fazer ao receber uma denúncia
A forma como a liderança reage à primeira denúncia define se outras pessoas terão coragem de falar. Por isso, siga estes cuidados:
- Escute sem julgar e sem minimizar. Frases como “ele é assim mesmo” desencorajam a vítima.
- Garanta sigilo e explique quais serão os próximos passos.
- Registre o relato com datas, fatos e possíveis testemunhas.
- Encaminhe pelo canal oficial da empresa, sem conduzir a apuração sozinho.
- Proteja a vítima de retaliação, inclusive com mudança temporária de rotina, se for necessário.
- Acompanhe o caso até a conclusão e dê retorno a quem denunciou.
Plano de prevenção ao assédio moral em 6 passos
- Diagnóstico: pesquisa de clima anônima e análise de afastamentos, faltas e rotatividade por setor.
- Política clara: código de conduta que defina o que é assédio, com exemplos e consequências.
- Canal de denúncia confiável: com anonimato, proteção contra retaliação e prazo de resposta.
- Treinamento das lideranças: o líder é quem mais previne, e também quem mais pratica, o assédio vertical.
- Sensibilização de toda a equipe: palestras e rodas de conversa, pelo menos uma vez por ano, como pede a lei.
- Apuração e acompanhamento: cada denúncia investigada com seriedade, com medidas e acompanhamento da vítima.
Mais orientações estão em como prevenir o assédio moral no ambiente de trabalho. E se o assédio acontece no ambiente escolar, veja também o conteúdo sobre assédio moral na escola.
Como uma palestra ajuda a prevenir o assédio
A capacitação anual exigida pela Lei 14.457/2022 só cumpre o seu papel quando muda comportamentos, e não apenas quando gera uma lista de presença. Uma boa palestra sobre assédio moral faz três coisas: ensina a reconhecer os tipos de assédio com exemplos do dia a dia, mostra aos líderes onde a cobrança vira abuso e encoraja quem sofre ou presencia a procurar os canais da empresa.
Wesley Alves, palestrante especialista em comportamento e educação, conduz a palestra sobre assédio moral no ambiente de trabalho com linguagem acessível, casos reais e espaço para perguntas. O tema também pode compor a programação da palestra para SIPAT, unindo prevenção de acidentes e prevenção ao assédio em uma mesma semana.
Precisa cumprir a capacitação anual sobre assédio na sua empresa? Fale com o Wesley pelo WhatsApp e receba a proposta no mesmo dia.
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de assédio moral?
São cinco: vertical descendente (do chefe para o subordinado), vertical ascendente (do subordinado para o chefe), horizontal (entre colegas do mesmo nível), misto (quando combina mais de uma direção) e organizacional (quando a própria forma de gestão da empresa é abusiva).
O que é assédio moral horizontal?
É o assédio praticado entre colegas do mesmo nível hierárquico, como apelidos humilhantes, exclusão proposital, boatos e sabotagem do trabalho do outro. Ele costuma ser subestimado como “briga entre colegas”, mas causa os mesmos danos que o assédio vindo da chefia.
O que é assédio moral vertical descendente?
É o tipo mais comum: o abuso parte de quem tem poder hierárquico, como chefe ou gerente, contra um subordinado. Inclui humilhações públicas, ameaças constantes de demissão, metas impossíveis e retirada injustificada de funções.
Uma única ofensa já é assédio moral?
Em geral, não. O assédio moral se caracteriza pela repetição e pela duração das condutas. Ainda assim, uma ofensa isolada pode ser grave, gerar punição interna e, dependendo do caso, outras consequências jurídicas. Já o assédio sexual pode ficar caracterizado com um único episódio.
A empresa é obrigada a fazer treinamento sobre assédio?
As empresas obrigadas a ter CIPA devem, pela Lei 14.457/2022, realizar ações de capacitação, orientação e sensibilização sobre assédio e violência no trabalho no mínimo a cada 12 meses, além de manter regras de conduta e procedimentos para receber denúncias.
O que a NR-1 tem a ver com assédio moral?
A NR-1 atualizada exige que os riscos psicossociais, como pressão excessiva, relações de trabalho abusivas e falhas de liderança, entrem no gerenciamento de riscos da empresa. Assim, a prevenção ao assédio passou a fazer parte das obrigações de saúde e segurança, com fiscalização desde 26 de maio de 2026.
Conclusão: nomear o assédio é o primeiro passo para acabar com ele
Conhecer os tipos de assédio moral, vertical descendente, vertical ascendente, horizontal, misto e organizacional, permite que trabalhadores se protejam e que empresas ajam antes que o dano aconteça. Com a Lei 14.457/2022 e a NR-1, prevenir o assédio virou obrigação, mas continua sendo, antes de tudo, uma questão de respeito e de saúde.
Se a sua empresa precisa de uma capacitação que mude comportamentos de verdade, conte com uma palestra feita para isso. Peça seu orçamento pelo WhatsApp: (11) 97455-4942.
Fontes: NR-1 entra em fase de fiscalização em 26 de maio (Contadores CNT) e CIPAs devem implementar práticas contra o assédio (Contábeis).

Wesley Alves
Professor e palestrante de educaçãoWesley Alves é professor e palestrante há 15 anos. Leva formação sobre saúde emocional, relações em sala de aula e motivação a escolas públicas e privadas de todo o Brasil, sempre com exemplos testados em turmas reais antes de chegar ao palco.
60 a 90 min, presencial ou online, com prática guiada e material de continuidade.
Pedir orçamento Ver a página do tema

