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Temas 07/10/2026 · 13 min de leitura

Tipos de assédio moral no trabalho: exemplos, sinais e o que a empresa deve fazer

Os tipos de assédio moral no trabalho são o vertical descendente (do chefe para o subordinado), o vertical ascendente (do subordinado para o chefe), o horizontal (entre colegas do mesmo nível), o misto (que combina mais de uma direção) e o organizacional (quando a própria gestão da empresa usa práticas abusivas).

PalestrasMotivacionaisProfessor e palestrante · 15 anos de palco
Tipos de assédio moral no trabalho: exemplos, sinais e o que a empresa deve fazer

Os tipos de assédio moral no trabalho são o vertical descendente (do chefe para o subordinado), o vertical ascendente (do subordinado para o chefe), o horizontal (entre colegas do mesmo nível), o misto (que combina mais de uma direção) e o organizacional (quando a própria gestão da empresa usa práticas abusivas). Neste guia você vê exemplos de cada tipo, como diferenciar assédio de conflito comum, o que fazer se você é vítima e o que a empresa precisa fazer hoje, com a Lei 14.457/2022 e a NR-1.

Assédio moral raramente começa com um grande escândalo. Na maioria das vezes, ele se instala aos poucos: uma piada humilhante em reunião, uma meta impossível dada só para uma pessoa, um colega que passa a ser ignorado pelo grupo. Como cada episódio parece pequeno, a vítima duvida de si mesma, a equipe se cala e a empresa só percebe quando o problema vira afastamento, processo ou pedido de demissão.

Entender os tipos de assédio é o primeiro passo para quebrar esse ciclo. Quem sabe nomear o que está acontecendo consegue se proteger, e a empresa que conhece os sinais consegue agir antes do dano. Este guia foi escrito para trabalhadores, líderes, RH, SESMT e membros da CIPA.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado, do sindicato ou dos órgãos de fiscalização do trabalho.

O que é assédio moral no trabalho

Assédio moral é a exposição repetida e prolongada de uma pessoa a situações humilhantes, constrangedoras ou hostis no ambiente de trabalho, que atingem a sua dignidade e a sua saúde. Duas características são centrais: a repetição (não é um episódio isolado) e o dano à pessoa, seja emocional, profissional ou físico.

Por isso, é importante diferenciar o assédio de situações que, embora desagradáveis, fazem parte da vida no trabalho:

SituaçãoÉ assédio moral?Por quê
Chefe cobra resultado com firmeza e respeitoNãoCobrar metas é parte da gestão, desde que sem humilhação
Discussão pontual entre colegasNão, em geralConflito isolado não caracteriza assédio, mas deve ser mediado
Críticas públicas e repetidas para humilhar alguémSimHá repetição e intenção de constranger
Isolar um colega de propósito, sem tarefas ou informaçõesSimÉ uma forma de exclusão sistemática
Metas impossíveis dadas só a uma pessoa para forçar sua saídaSimUsa a gestão como instrumento de perseguição
Comentários de cunho sexual indesejadosÉ assédio sexualTem natureza sexual e é tratado de forma específica

Os 5 tipos de assédio moral

O assédio moral é classificado principalmente pela direção da relação de poder entre quem pratica e quem sofre. Conhecer cada tipo ajuda a identificar situações que nem sempre parecem assédio à primeira vista.

1. Assédio moral vertical descendente

É o tipo mais comum: parte de quem tem poder hierárquico (chefe, gerente, supervisor) contra um subordinado. Como a vítima depende do agressor para manter o emprego, ela costuma ter medo de denunciar.

Exemplos:

  • Gritar com o funcionário ou humilhá-lo na frente da equipe.
  • Dar tarefas abaixo ou muito acima da capacidade dele para provocar erro.
  • Retirar funções, sala ou ferramentas de trabalho sem justificativa.
  • Ameaçar constantemente com demissão.
  • Controlar idas ao banheiro ou o tempo de pausa de forma abusiva.

2. Assédio moral vertical ascendente

É menos comum, mas existe: acontece quando subordinados se unem para desestabilizar um chefe. Em geral, aparece quando o gestor é novo, vem de fora ou foi promovido no lugar de alguém do grupo.

Exemplos:

  • Boicotar de forma combinada as orientações do líder.
  • Esconder informações para que ele erre diante da diretoria.
  • Espalhar boatos para minar a sua autoridade.

3. Assédio moral horizontal

Ocorre entre colegas do mesmo nível hierárquico. Muitas vezes, nasce de competição, inveja ou preconceito, e se sustenta porque a liderança trata o caso como “briga entre colegas”.

Exemplos:

  • Apelidos e piadas humilhantes repetidas.
  • Excluir um colega de conversas, almoços e informações de trabalho.
  • Sabotar o trabalho do outro ou se apropriar das suas ideias.
  • Fofocas e boatos sobre a vida pessoal da vítima.

4. Assédio moral misto

Combina mais de uma direção ao mesmo tempo: a vítima é perseguida pelo chefe e também pelos colegas, que passam a imitar o comportamento da liderança. É uma das formas mais destrutivas, porque a pessoa fica sem nenhum ponto de apoio dentro da equipe.

5. Assédio moral organizacional (ou institucional)

Nesse caso, o abuso não é de uma pessoa contra outra, mas da própria forma de gestão da empresa. A pressão excessiva vira política, e atinge grupos inteiros de trabalhadores.

Exemplos:

  • Exposição de rankings com “prendas” ou punições vexatórias para quem não bate a meta.
  • Metas inalcançáveis como regra para toda a equipe.
  • Cultura de medo, com ameaças coletivas de demissão.
  • Jornadas exaustivas tratadas como “vestir a camisa”.

Assédio moral e assédio sexual: qual a diferença

O assédio sexual envolve condutas de natureza sexual indesejadas, como comentários, toques, convites insistentes ou chantagens. Diferentemente do assédio moral, um único episódio de assédio sexual já pode ser grave, e ele também pode configurar crime. As duas formas de violência, porém, costumam caminhar juntas e devem ser tratadas pela empresa com a mesma seriedade.

Como identificar o assédio moral: sinais de alerta

O assédio deixa marcas na pessoa, na equipe e nos indicadores da empresa. Fique atento quando aparecerem:

  • Na vítima: medo de ir trabalhar, isolamento, queda brusca de desempenho, choro frequente, problemas de sono e afastamentos por saúde.
  • Na equipe: silêncio nas reuniões, piadas recorrentes contra uma mesma pessoa e alta rotatividade em um setor específico.
  • Nos indicadores: aumento de faltas, atestados e pedidos de transferência ou demissão. Por isso, o tema está diretamente ligado ao absenteísmo e ao clima organizacional.

Frases e atitudes que podem indicar assédio moral

Quando aparecem de forma repetida e com intenção de humilhar, isolar ou forçar a saída de alguém, algumas falas e atitudes são sinais claros de assédio:

  • “Você não serve para nada”, dito em público ou repetidamente.
  • “Se não está satisfeito, a porta da rua é serventia da casa”, usado como ameaça constante.
  • Apelidos ligados a aparência, idade, origem, religião ou deficiência.
  • Ignorar sistematicamente cumprimentos, mensagens e pedidos de alguém.
  • Expor erros de uma pessoa em grupos de mensagens da equipe.
  • Mudar regras ou prazos só para uma pessoa, sem explicação.
  • Vigiar e controlar uma pessoa de forma diferente do restante da equipe.

Consequências do assédio moral

O assédio moral não prejudica apenas quem sofre. Ele atinge a saúde da vítima, contamina o clima da equipe e gera prejuízo concreto para a empresa:

Para quemConsequências
VítimaAnsiedade, depressão, esgotamento, isolamento e perda de confiança profissional
EquipeMedo, queda de colaboração, silêncio diante de problemas e perda de talentos
EmpresaAfastamentos, rotatividade, queda de produtividade, ações trabalhistas e danos à reputação

Há mais detalhes sobre esse impacto em quais são as consequências do assédio moral.

O que fazer se você está sofrendo assédio moral

Se você reconheceu a sua situação neste texto, saiba que não é exagero e que existem caminhos. O passo mais importante é sair do isolamento e reunir provas.

  1. Anote tudo. Registre data, horário, local, o que foi dito ou feito e quem presenciou. Um diário detalhado tem muito valor.
  2. Guarde evidências. Mensagens, e-mails, áudios e documentos que mostrem o tratamento recebido.
  3. Identifique testemunhas. Colegas que presenciaram os episódios podem confirmar os fatos.
  4. Use os canais internos. Procure o RH, a ouvidoria, o canal de denúncias ou a CIPA.
  5. Busque apoio externo, se necessário. O sindicato da categoria, o Ministério Público do Trabalho e um advogado trabalhista podem orientar os próximos passos.
  6. Cuide da sua saúde. Procure atendimento médico e psicológico. A saúde vem antes de qualquer processo.

Para entender melhor como reunir provas, veja como provar assédio moral no trabalho.

O que a empresa precisa fazer hoje

Prevenir o assédio deixou de ser apenas uma boa prática. Hoje, duas normas colocam o tema no centro da gestão de pessoas.

Lei 14.457/2022: CIPA também previne o assédio

A Lei 14.457/2022 mudou o nome da CIPA para Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio e determinou que as empresas obrigadas a ter CIPA adotem medidas contra o assédio sexual e outras formas de violência no trabalho. Entre elas:

  • regras de conduta sobre assédio, divulgadas a todos os trabalhadores;
  • procedimentos para receber e apurar denúncias, com garantia de anonimato;
  • inclusão da prevenção ao assédio nas atividades da CIPA;
  • ações de capacitação, orientação e sensibilização, no mínimo a cada 12 meses.

NR-1: riscos psicossociais no gerenciamento de riscos

A atualização da NR-1 passou a exigir que as empresas incluam os fatores de risco psicossociais, como pressão excessiva, metas incompatíveis, qualidade da liderança e conflitos nas relações de trabalho, no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Depois de adiamentos, a fiscalização com possibilidade de autuação começou em 26 de maio de 2026.

Na prática, isso significa que o assédio moral passou a ser tratado como risco ocupacional, que precisa ser identificado, avaliado e prevenido, assim como um risco físico ou químico.

O que o líder deve fazer ao receber uma denúncia

A forma como a liderança reage à primeira denúncia define se outras pessoas terão coragem de falar. Por isso, siga estes cuidados:

  1. Escute sem julgar e sem minimizar. Frases como “ele é assim mesmo” desencorajam a vítima.
  2. Garanta sigilo e explique quais serão os próximos passos.
  3. Registre o relato com datas, fatos e possíveis testemunhas.
  4. Encaminhe pelo canal oficial da empresa, sem conduzir a apuração sozinho.
  5. Proteja a vítima de retaliação, inclusive com mudança temporária de rotina, se for necessário.
  6. Acompanhe o caso até a conclusão e dê retorno a quem denunciou.

Plano de prevenção ao assédio moral em 6 passos

  1. Diagnóstico: pesquisa de clima anônima e análise de afastamentos, faltas e rotatividade por setor.
  2. Política clara: código de conduta que defina o que é assédio, com exemplos e consequências.
  3. Canal de denúncia confiável: com anonimato, proteção contra retaliação e prazo de resposta.
  4. Treinamento das lideranças: o líder é quem mais previne, e também quem mais pratica, o assédio vertical.
  5. Sensibilização de toda a equipe: palestras e rodas de conversa, pelo menos uma vez por ano, como pede a lei.
  6. Apuração e acompanhamento: cada denúncia investigada com seriedade, com medidas e acompanhamento da vítima.

Mais orientações estão em como prevenir o assédio moral no ambiente de trabalho. E se o assédio acontece no ambiente escolar, veja também o conteúdo sobre assédio moral na escola.

Como uma palestra ajuda a prevenir o assédio

A capacitação anual exigida pela Lei 14.457/2022 só cumpre o seu papel quando muda comportamentos, e não apenas quando gera uma lista de presença. Uma boa palestra sobre assédio moral faz três coisas: ensina a reconhecer os tipos de assédio com exemplos do dia a dia, mostra aos líderes onde a cobrança vira abuso e encoraja quem sofre ou presencia a procurar os canais da empresa.

Wesley Alves, palestrante especialista em comportamento e educação, conduz a palestra sobre assédio moral no ambiente de trabalho com linguagem acessível, casos reais e espaço para perguntas. O tema também pode compor a programação da palestra para SIPAT, unindo prevenção de acidentes e prevenção ao assédio em uma mesma semana.

Precisa cumprir a capacitação anual sobre assédio na sua empresa? Fale com o Wesley pelo WhatsApp e receba a proposta no mesmo dia.

Perguntas frequentes

Quais são os tipos de assédio moral?

São cinco: vertical descendente (do chefe para o subordinado), vertical ascendente (do subordinado para o chefe), horizontal (entre colegas do mesmo nível), misto (quando combina mais de uma direção) e organizacional (quando a própria forma de gestão da empresa é abusiva).

O que é assédio moral horizontal?

É o assédio praticado entre colegas do mesmo nível hierárquico, como apelidos humilhantes, exclusão proposital, boatos e sabotagem do trabalho do outro. Ele costuma ser subestimado como “briga entre colegas”, mas causa os mesmos danos que o assédio vindo da chefia.

O que é assédio moral vertical descendente?

É o tipo mais comum: o abuso parte de quem tem poder hierárquico, como chefe ou gerente, contra um subordinado. Inclui humilhações públicas, ameaças constantes de demissão, metas impossíveis e retirada injustificada de funções.

Uma única ofensa já é assédio moral?

Em geral, não. O assédio moral se caracteriza pela repetição e pela duração das condutas. Ainda assim, uma ofensa isolada pode ser grave, gerar punição interna e, dependendo do caso, outras consequências jurídicas. Já o assédio sexual pode ficar caracterizado com um único episódio.

A empresa é obrigada a fazer treinamento sobre assédio?

As empresas obrigadas a ter CIPA devem, pela Lei 14.457/2022, realizar ações de capacitação, orientação e sensibilização sobre assédio e violência no trabalho no mínimo a cada 12 meses, além de manter regras de conduta e procedimentos para receber denúncias.

O que a NR-1 tem a ver com assédio moral?

A NR-1 atualizada exige que os riscos psicossociais, como pressão excessiva, relações de trabalho abusivas e falhas de liderança, entrem no gerenciamento de riscos da empresa. Assim, a prevenção ao assédio passou a fazer parte das obrigações de saúde e segurança, com fiscalização desde 26 de maio de 2026.

Conclusão: nomear o assédio é o primeiro passo para acabar com ele

Conhecer os tipos de assédio moral, vertical descendente, vertical ascendente, horizontal, misto e organizacional, permite que trabalhadores se protejam e que empresas ajam antes que o dano aconteça. Com a Lei 14.457/2022 e a NR-1, prevenir o assédio virou obrigação, mas continua sendo, antes de tudo, uma questão de respeito e de saúde.

Se a sua empresa precisa de uma capacitação que mude comportamentos de verdade, conte com uma palestra feita para isso. Peça seu orçamento pelo WhatsApp: (11) 97455-4942.

Fontes: NR-1 entra em fase de fiscalização em 26 de maio (Contadores CNT) e CIPAs devem implementar práticas contra o assédio (Contábeis).

Wesley Alves
Sobre o autor

Wesley Alves

Professor e palestrante de educação

Wesley Alves é professor e palestrante há 15 anos. Leva formação sobre saúde emocional, relações em sala de aula e motivação a escolas públicas e privadas de todo o Brasil, sempre com exemplos testados em turmas reais antes de chegar ao palco.

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